Aprendendo Espiritismo
OBTERÁS
Obterás o que pedes.
Não olvides, contudo, que a vida nos responde aos requerimentos, conforme a
nossa conduta na petição.
Sedento, se buscas a água do poço, vasculhando-lhe o fundo, recolherás
tão-somente nauseante caldo do lodo.
Faminto, se atiras lama ao vaso que te alimenta, engolirá a substância corrupta.
Cansado, se procuras o leito, comunicando-lhe fogo à estrutura, deitar-te-ás
numa enxerga de cinzas.
Doente, se injurias a medicação que se te aconselha, alterando-lhe as doses,
prejudicarás o próprio organismo.
Isso acontece porque a fonte, encravada no solo, é constrangida a guardar os
detritos com que lhe poluem o seio; o prato é forçado a reter os resíduos que se
lhe imponham à face; o colchão é impelido a desintegrar-se ao calor do incêndio,
e o remédio, aplicado com desrespeito, pode exercer ação contrária a seus fins.
Ocorre o mesmo, em plena analogia de circunstâncias, na esfera ilimitada do
espírito.
Desesperado ou infeliz, desanimado ou descrente, não te valhas do irmão de que
te socorres, tentando convertê-lo em cobaia para teus caprichos, porque toda
alma é um espelho para outra alma, e teremos nos outros o reflexo de nós mesmos.
Sombra projetada significa sombra de volta.
Negação cultivada pressagia a colheita de negação.
Se aspiras a desembaraçar-te das trevas, não desajustes a tomada humilde, capaz
de trazer-te a força da usina.
Oferece-lhe meios simples para o trabalho certo e a luz se fará correta na
lâmpada.
Clareia para que te clareiem.
Auxilia para que te auxiliem.
Estuda, servindo, para que o cérebro hipertrofiado não te resseque o coração
distraído.
Indaga, edificando, para que a inércia te não confunda.
Fortaleçamos o bem para que o bem nos encoraje.
Compreendamos a luta do próximo, a fim de que o próximo nos entenda igualmente a
luta.
Lembra-te, pois, da eficácia da prece e ora, fazendo o melhor, para que o melhor
se te faça, sem te esqueceres jamais de que toda rogativa alcança resposta
segundo o nosso justo merecimento.
E TEM MAIS. . .
ANTE FALSOS PROFETAS
Acautela-te em atribuir aos falsos profetas o fracasso de teus empreendimentos
morais.
Recorda que todos somos tentados, segundo a espécie de nossas imperfeições.
Não despertarás a fome do peixe com uma isca de ouro, nem atrairás a atenção do
cavalo com um prato de pérolas, mas, sim, ofertando-lhes à percepção leve bocado
sangrento ou alguma concha de milho.
Desse modo, igualmente, todos somos induzidos ao erro, na pauta de nossa própria
estultícia.
Dominados de orgulho, cremos naqueles que nos incitam à vaidade e, sedentos de
posse, assimilamos as sugestões infelizes de quantos se proponham explorar-nos a
insensatez e a cobiça.
É preciso lembrar que todos somos, no traje físico ou dele desenfaixados,
espíritos a caminho, buscando na luta e na experiência os fatores da evolução
que nos é necessária, e que, por isso mesmo, se já somos aprendizes do Cristo,
temos a obrigação de buscar-lhe o exemplo para metro ideal de nossa conduta.
Não vale, assim, alegar confiança na palavra de quantos nos sustentem a
fantasia, com respeito a fictícios valores de que sejamos depositários, no
pressuposto de que venham até nós, na condição de desencarnados; pois que a
morte do corpo é, no fundo, simples mudança de vestimenta, sem afetar, na
maioria das circunstâncias, a nossa formação espiritual.
«Não creias, desse modo, em todo Espírito» — diz-nos o Apóstolo —, porquanto
semelhante atitude envolveria a crença cega em nossos próprios enganos, com a
exaltação de reiterados caprichos.
O ouvido que escuta é irmão da boca que fala.
Ilusão admitida é nossa própria ilusão.
Apetite insuflado é apetite que acalentamos.
Mentira acreditada é a própria mentira em nós.
Crueldade aceita é crueldade que nos pertence.
De alguma sorte, somos também a força com a qual entramos em sintonia.
Procuremos, pois, o Mestre dos mestres como sendo a luz de nosso caminho. E
cotejando, com as lições d'Ele, avisos e informes, mensagens e advertências que
nos sejam endereçados, desse ou daquele setor de esclarecimento, aprenderemos,
sem sombra, que a humildade e o serviço são nossos deveres de cada hora, para
que a verdade nos ilumine e para que o amor puro nos regenere, preservando-nos,
por fim, contra o assédio de todo mal.
Extraído do Livro “RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS”, de Emmanuel, Psicografia de Francisco Candido Xavier