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Nos Caminhos de Jesus -A Iniciação - O Novo Testamento (16/6/2004)
A Que Se Propõe Este Trabalho
Este livro e o resultado de um trabalho de pesquisa bíblica sobre a vida de Jesus Cristo, narrada no Novo Testamento. Admiramos e respeitamos a "Coletânea Bíblica" por tratar-se, também, de um livro que traz as mensagens que Jesus Cristo transmitiu a seus apóstolos e discípulos, conservadas por milênios. Felizmente, saímos de um período em que a Bíblia era "tabu", reservada apenas a poucos sacerdotes eleitos que a estudavam mais para defendê-la do que para torná-la conhecida.
Hoje, existem diversos estudiosos que pesquisam na Bíblia pela sede ardente de conhecimento, fazendo com que se torne matéria de estudo, argumento de discussão, tema de pregação, etc. Da Bíblia nasceu a necessidade de se descobrir Deus; saber se, realmente, é o ser absoluto e se fomos criados a sua imagem e semelhança.
Sentimos, entretanto, que apesar da quebra desse "tabu", são poucos os que na verdade conhecem os textos bíblicos, conservando apenas os ensinamentos da infância que conheceram nas catequeses. A ciência provou e a Igreja deu a mão à palmatória, caso contrário, ainda acreditaríamos que todos os astros giram em torno da Terra, e que Adão e Eva foram os primeiros seres a habitar este planeta, justamente quando, hoje, a ciência comprova a existência do homem há 3 milhões de anos atrás.
A Bíblia divide-se em duas partes: o Antigo Testamento e Novo Testamento. O primeiro trata-se da história dos hebreus que foram tirados do Egito (onde eram escravos), para serem conduzidos à “Terra Prometida”.
Já o segundo Testamento enfoca, mais precisamente, o nascimento, a vida, paixão e morte de Jesus Cristo, além das mensagens que o Mestre pediu que fossem guardadas.
Porém, é importante observar que, segundo S. João “Ninguém jamais viu a Deus”. Dizer apenas que Deus é absoluto ou infinito, Allan Kardec diria que: “A definição é incompleta. Pobreza de linguagem humana, insuficiente para definir o que está acima da linguagem dos homens”.
O cristianismo, embora sendo uma religião monoteísta, admite a existência de três seres em Deus: Pai, Filho e Espírito Santo (dogma da Trindade); todavia o Espírito Santo não aparece no Antigo Testamento, assim como Javé não faz parte do Novo. Os babilônios e os assírios tiveram por deus principal: EL (ou Ilu), divindade sideral.
Os israelitas adoravam um deus único, sob o nome de “El”, denominação que se tornou comum entre os grupos de origem semítica. Por ocasião do êxodo, segundo a Bíblia, El-Saddai, El-Olan, El-Adonnai, El-Elion, El-Cana, El-Haí... eram nomes dos DEUSES.
Elohim (deuses) é a forma plural de EL, ou ELOHA (singular) usado na Bíblia. Assim como Javé, os anjos e seus seguidores adotaram o “EL” como prefixo ou sufixo no nome, tais como: Eli, Elui, Elias, Eliseu, Gabriel, Miguel, Matusael, Raguel, Samuel, Uriel... Quando Jesus Cristo apresentou-se ao povo em Jerusalém, os romanos, que agora dominavam toda aquela região, tinham por religião o mitraísmo. O MITRAÍSMO era a religião do deus indo-irânico Mitra, que teve seu início na Babilônia para se completar na Ásia Menor, em contato com o helenismo.
Os mistérios do deus Mitra foram trazidos para o Ocidente pelos soldados romanos. O culto espalhou-se por todo o império romano até onde chegavam as legiões romanas nas regiões mais afastadas, até que, em Roma, encontrou muitos e grandes adeptos nas classes mais elevadas.
Razão pela qual, passou a ter proteção dos últimos imperadores romanos. O culto ao deus Mitra chegou a ser oficializado em Roma. Com o crescimento do mitraísmo, o cristianismo passou a ser violentamente combatido. Apesar da difícil luta dos cristãos para sobreviverem no meio dos romanos e judeus contra, o movimento cristão crescia a cada dia em número e na fé, encontrando maior força nos mártires que morriam nas bocas dos felinos, quando jogados na arena, diante de uma multidão que usufruía do prazer em ver os corpos serem despedaçados. Entretanto, apesar de toda selvageria, Roma sucumbiu ao cristianismo. Os romanos, a partir de então, foram aderindo, pouco a pouco, ao movimento cristão até transformarem-se em chefes do grande movimento. Assim, Roma tornou-se católica. Do grego KATHOLIKÓS, que significa Universal, geral, o termo catolicismo foi utilizado antes da era cristã por escritores como Aristóteles, Zenão, Políbio... O termo não consta no “Corpus Bíblico” e, aplicado à Igreja, aparece, pela primeira vez, por volta do ano 105 d.C., na carta de Inácio, bispo de Antioquia, aos esmirnenses. Divulgou-se então, entre os escritores cristãos, o emprego do substantivo, que se transformou, pura e simplesmente, sinônimo de Igreja Cristã. Após o Concílio de Trento (1571), o termo Católico passou a significar Igreja que tem o seu centro em Roma. Dessa forma, nessa época, acrescentou-se o qualificativo ROMANA, após o Concílio Ecumênico Vaticano II, transformando-se em Igreja Católica Apostólica Romana. A Igreja primitiva, formada essencialmente de uma comunidade fraterna, unida pela fé e pelo “amor ao próximo”, de repente, estava rodeada pelo comando romano na cúpula do grande movimento cristão. Aí, viu-se obrigada a realizar suas pregações, ou mesmo, quando se reuniam para orações, em salas especiais ou em catacumbas, durante o tempo em que foram perseguidos. Com o afastamento gradativo dos seguidores dos discípulos de Jesus, o movimento cristão foi perdendo a sua essência espiritual para incorporar em suas celebrações, ritos que os romanos trouxeram do Mitraísmo. Durante 200 anos, o Mitraísmo foi a religião que fez frente ao Cristianismo. A lenda dos pastores com presentes, a confissão, a comunhão, a castidade, o juízo final e a ressurreição da carne existiam no culto do mitraísmo. A semelhança entre os dois movimentos era numerosa. Os seguidores de Mitra batizavam seus adeptos, também encenavam a Santa Ceia (a Eucaristia) nas suas cerimônias religiosas. Nos rituais, em vez de pão e vinho, usavam pão e água. Acreditavam num lugar no céu para os bons, o inferno para os maus e no julgamento final. Os cristãos não observam o sábado como manda a Bíblia e sim o domingo que também veio do Mitraísmo. Como na religião católica, não aceitavam o sexo feminino nas funções sacerdotais e a data máxima do Mitraísmo, em que celebravam o nascimento do sol invicto era o 25 de dezembro. Além disso, o ornato comprido que o papa usa nas grandes cerimônias, chama-se MITRA. Com o afastamento dos discípulos diretos do Mestre, a cúpula da Igreja Católica sentiu-se inspirada nos seus descendentes conquistadores e passaram a exercer suas funções religiosas junto aos monarcas e poderosos, chegando a usar seus ensinamentos com fanatismo, através da tortura e a opressão, inspirada nos antecessores romanos, sob a égide da Santa Inquisição. O Que é Deus? - “Ide através do mundo inteiro e proclamai a Boa Nova a toda criatura” pediu Jesus Cristo, mas, agora, era feito de forma violenta, obrigando aos que encontravam a tornarem-se cristãos, sob pena de morrerem nas fogueiras como hereges, destruindo suas culturas e suas tradições. Jomo Kenyatta, líder negro do Quênia nos anos 50 e um dos criadores do movimento “Mau-Mau”, disse, certa vez: “Quando os sacerdotes brancos chegaram à África, os negros tinham a terra e eles a Bíblia. Os brancos nos deram a Bíblia e disseram que rezássemos com os olhos fechados. Quando abrimos os olhos, eles tinham a terra e nós a Bíblia”. Graças a Deus, hoje se vê uma Igreja mais humilde onde, através de seus sacerdotes e ministros, desenvolve-se trabalho mais espiritualizado, ensinando, de uma maneira mais modesta, a prática do “amor ao próximo”. Com exceção do espiritismo, todas as Igrejas do Ocidente tiveram sua origem na Igreja Católica Apostólica Romana, também chamada de Igreja Universal, pois dela vieram as Igrejas Protestantes ou Evangélicas. Entretanto, todas elas continuaram monoteístas, admitindo a existência da Trindade: Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Será que poderíamos imaginar Deus, como Ele é, ou como é feito?... O Livro dos Espíritos de Allan Kardec, (Ed. Federação Espírita Brasileira), diz: "DEUS - Palavra que, em sentido amplo, traduz a idéia de um Ser Supremo. É o que tudo pode (ONIPOTENTE), está em toda parte (ONIPRESENTE) e tudo sabe (ONISCIENTE), entretanto, a inferioridade das faculdades do homem não nos permite compreender a natureza íntima de Deus. Falta-nos SENTIDO para entender o mistério da Divindade. Sou pesquisador bíblico desde 1979 e tenho uma atração muito grande para tentar desvendar o que parece obscuro nos textos das Sagradas Escrituras. Lendo, observando, pesquisando, discutindo, é que iremos aprender a enxergar os mistérios que Jesus Cristo nos pediu para observar. “Quando não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, o Espírito O verá e compreenderá o Mistério Divino”. Jesus Cristo veio à Terra com o propósito de ensinar-nos o caminho do céu; entretanto, no caminho de muitas flores, onde se pode apreciar as rosas, infelizmente, à maioria só consegue enxergar os espinhos. Faço observar que sou católico, porém, depois de muito estudar a Bíblia (e continuo), tornei-me espiritualista (não espírita), acreditando que a essência do Universo é espiritual e que o material é complemento. Cito, neste trabalho, por várias vezes, a obra de Allan Kardec (codificador do espiritismo) “O Livro dos Espíritos”- Ed. FEB, por entender que os seus ensinamentos vem de encontro com os enfoques espiritualistas que Jesus deixou registrado na Bíblia através de seus apóstolos e discípulos. Cristo deixou-nos ensinamentos sobre os mistérios de Deus: a imortalidade do Espírito, o pós morte, a fé, os anjos e os demônios, as leis morais e divinas, o porvir da Humanidade... para, através desses ensinamentos, encontrarmos o caminho correto a seguir. Mas deixou-nos também a ESPADA, a qual nunca deveria ser usada. Diz o “Livro dos Espíritos” que “as nossas existências na Terra são das mais materiais e das mais distantes da perfeição”. Por isso, é mais fácil enxergar a ESPADA que está fincada em alguma parte do caminho do Senhor, do que ver a flor que enfeita a estrada que nos leva a Ele. Este planeta, dizem os espiritualistas, é a escola que nos ensina a perfeição. Se formos bons alunos, passaremos de ano; se maus, seremos reprovados. Não regrediremos, mas teremos que repetir tudo novamente. Diz também o livro de Kardec que “os Espíritos, em sua origem, seriam como as crianças, ignorantes e inexperientes, só adquirindo pouco a pouco os conhecimentos de que carecem com o percorrerem as diferentes fases da vida. Seu aproveitamento depende da sua maior ou menor docilidade”. Assim como nascem os gêmeos idênticos que se dedicam com amor a si próprios, há também os gêmeos idênticos que já nascem inimigos mortais, como foi o caso de Esaú e Jacó (filhos de lsaac), que nasceram –segundo a Bíblia– chutando um ao outro. "Não é de regra que sejam simpáticos os Espíritos dos gêmeos. Acontece também que, Espíritos maus entendam de lutar juntos no palco da vida (LE-FEB)." Disse Cristo: "Julgais que vim trazer a paz a Terra? Não, vos digo eu, mas separação; porque, de hoje em diante, haverá numa casa cinco pessoas, divididas três contra duas, e duas contra três. Estarão divididos: O pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra a sogra (Lucas 12, 51-53)". “A predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e o trasbordamento das paixões impele o ser humano a matar o próprio irmão(LE - FEB)”. Sim, porque, para alguns povos, a guerra é um estado normal, onde se diz, até mesmo, tratar-se de "guerra santa", como se Deus aprovasse tal barbárie. "À medida que o homem progride, menos freqüente se torna a guerra, porque ele lhe evita as causas, fazendo-a com humanidade, quando a sente necessária. Ao homem, não é permitido conhecer o principio das coisas, se não, não evoluiria (LE-FEB)". Jesus Cristo não criou religião alguma e posso dizer que o Ser Criador, queiram ou não, é o Deus de todas as religiões. Alguns chegam até a dizer: “O Deus da minha religião é que é o Deus verdadeiro”. O Espírito Emmanuel, escreveu: “Católicos, protestantes, espíritas... todos eles se movimentam, ameaçados pelo monstro da separação, como se o pensamento religioso traduzisse fermento da discórdia. Querem todos que Deus lhes pertença, mas não cogitam de pertencer a Deus (Vinha de Luz)”. “A religião é sempre a face augusta e soberana da verdade, porém, na inquietação que lhes caracteriza a existência na Terra, os homens se dividiram em numerosas religiões, como se a fé também pudesse ter fronteiras à semelhança das pátrias materiais, tantas vezes mergulhadas no egoísmo e na ambição de seus filhos (Consolador).” "A maioria dos católicos romanos pretende a isenção das dificuldades com as cerimônias exteriores; muitos protestantes acreditam na plena identificação com o céu tão só pela enunciação de alguns hinos; enquanto enorme percentagem de espíritas se crê na intimidade de supremas revelações apenas pelo fato de haver freqüentado algumas sessões. Tudo isso constitui preparação valiosa, mas não é tudo. Há um esforço iluminativo PARA O INTERIOR, sem o qual, homem algum penetrará o santuário da Verdade Divina (Pão Nosso)." Javé pediu a Abraão que seu nome fosse reverenciado com o HOLOCAUSTO, que consistia em oferecer a Deus o bezerro ou o carneiro mais novo do rebanho, assado na brasa e temperado com sal (Levítico 1). “Deus nunca exigiu sacrifícios, nem de humanos, nem, sequer, de animais inferiores. Não há como imaginar-se que se lhe possa prestar culto, mediante a destruição inútil de suas criaturas (LE - FEB).” De tudo o que foi dito até aqui, o Espírito Emmanuel resumiu em uma só questão: “Enquanto não conseguirmos chegar ao Eu interior, não conseguiremos chegar ao santuário da Verdade Divina. Aqueles que conseguem esse feito, praticam o verdadeiro Amor ao Próximo; doam tudo o que tem para servir ao seu semelhante”. Fernando Alves Corrêa é Jornalista No 198-DRT/MS e Radialista No 204-DRT/MS, e pesquisador bíblico, autor do livro “Os Deuses da Bíblia”.
_________________ Para Deus nada é impossível.
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