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DIGNA DE MINHAS ASAS
(Essa história de Augusto Cury está presente no volume 8 da coleção FRASES, DICAS E HISTÓRIAS MARAVILHOSAS)
Certa vez houve uma inundação numa imensa floresta. O choro das nuvens que deveriam promover a vida dessa vez anunciou a morte. Os grandes animais
bateram em retirada fugindo do afogamento, deixando até os filhos para trás. Devastavam tudo o que estava á frente. Os animais menores seguiam seus
rastros. De repente uma pequena andorinha, toda ensopada, apareceu na contramão procurando a quem salvar.
As hienas viram a atitude da andorinha e ficaram admiradíssimas. Disseram:
- Você é louca! O que poderá fazer com um corpo tão frágil?
Os abutres bradaram:
- Utópica! Veja se enxerga a sua pequenez!
Por onde a frágil andorinha passava, era ridicularizada. Mas, atenta, procurava alguém que pudesse resgatar. Suas asas batiam fatigadas, quando viu um
filhote de beija-flor debatendo-se na água, quase se entregando. Apesar de nunca ter aprendido a mergulhar, ela se atirou na água e com muito esforço
pegou o diminuto pássaro pela asa esquerda. E bateu em retirada, carregando o filhote pelo bico.
Ao retornar, encontrou outras hienas, que não tardaram a declarar:
- Maluca! Está querendo ser heroína!
Mas não parou; muito fatigada só descansou após deixar o pequeno beija-flor em local seguro. Horas depois, encontrou as hienas embaixo de uma sombra.
Fitando-as nos olhos, deu a sua resposta:
- Só me sinto digna das minhas asas se eu as utilizar para fazer os outros voarem.
*****
Há muitas hienas e abutres na sociedade. Não esperam muito dos grandes animais. Esperem deles, sim, incompreensões, rejeições, calúnias e necessidades
doentia de poder. Não os chamo para serem grandes heróis, para terem seus feitos descritos nos anais da história, mas para serem pequenas andorinhas
que sobrevoam anonimamente a sociedade amando desconhecidos e fazendo por eles o que está ao seu alcance.
Seja digno das suas asas. É na insignificância que se conquistam os grandes significados, é na pequenez que se realizam os grandes atos.
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EM CASA
Ninguém foge à lei da reencarnação.
Ontem, atraiçoamos a confiança de um companheiro, induzindo-o à derrocada moral.
Hoje, guardamo-lo na condição do parente difícil, que nos pede sacrifício incessante.
Ontem, abandonamos a jovem que nos amava, inclinando-a ao mergulho na lagoa do vício.
Hoje, temo-la de volta por filha incompreensiva, necessitada do nosso amor.
Ontem, colocamos o orgulho e a vaidade no peito de um irmão que nos seguia, os exemplos menos felizes.
Hoje, partilhamos com ele, à feição de esposo despótico ou de filho problema, o cálice amargo da redenção.
Ontem, esquecemos compromissos veneráveis, arrastando alguém ao suicídio.
Hoje, reencontramos esse mesmo alguém na pessoa de um filhinho, portador de moléstia irreversível, tutelando-lhe, à custa de lágrimas, o trabalho de
reajuste.
Ontem, abandonamos a companheira inexperiente, à mingua de todo auxílio, situando-a nas garras da delinqüência.
Hoje, achamo-la ao nosso lado, na presença da esposa conturbada e doente, a exigir-nos permanência no curso infatigável da tolerância.
Ontem, dilaceramos a alma sensível de pais afetuosos e devotados, sangrando-lhe o espírito, a punhaladas de ingratidão.
Hoje, moramos no espinheiro, em forma de lar, carregando fardos de angústia, afim de aprender a plantar carinho e fidelidade.
À frente de toda dificuldade e de toda prova, abençoa sempre e faz o melhor que possas.
Ajuda aos que te partilham a experiência, ora pelos que te perseguem, sorri para, os que te ferem e desculpa todos aqueles que te injuriam.
A humildade é chave de nossa libertação.
E sejam quais sejam os teus obstáculos na família, é preciso reconhecer que toda construção moral do Reino de Deus, perante o mundo, começa, nos,
alicerces invisíveis da luta em casa.
EMMANUEL
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